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Parkinson: O desafio de movimentar a vida com esperança

O dia 11 de abril marca o Dia Mundial da Conscientização da Doença de Parkinson. A data, estabelecida em 1998 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em homenagem ao nascimento de James Parkinson, médico que descreveu a doença em 1817 como “paralisia agitante“. A ideia é lembrar ao mundo que, embora a doença limite os movimentos, a nossa solidariedade e o avanço da ciência podem devolver a esperança e o sorriso a milhões de famílias.

O que é a Doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é muito mais do que o tremor, é uma condição neurológica degenerativa progressiva que compromete os movimentos, causada pela morte gradual de neurónios na substância negra do cérebro, responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controlo motor.

Os sintomas principais incluem tremores em repouso, lentidão de movimentos (bradicinesia), rigidez muscular e instabilidade postural, além de alterações na fala, escrita e equilíbrio, evoluindo lentamente ao longo dos anos. Outros sintomas manifestados na doença de Parkinson podem incluir depressão, distúrbios do sono, perda de olfato e alterações de humor, que muitas vezes precedem os sintomas motores em anos.

Um Mundo em Envelhecimento: O Impacto em Portugal

Globalmente é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, afetando mais homens que mulheres, especialmente após os 60 anos. Estima-se que existam cerca de 11 a 12 milhões de pessoas com Parkinson. Com o envelhecimento da população, projeta-se que o número de casos no mundo duplique até 2050, atingindo 25 milhões de pessoas. Em Portugal, a realidade é expressiva: estima-se que entre 18.000 a 20.000 portugueses vivem com a doença, tornando-a a segunda doença neurodegenerativa mais comum no país, a seguir ao Alzheimer.

A Importância do Tratamento e do Diagnóstico Precoce

Embora ainda não exista cura, o diagnóstico precoce é o maior trunfo para retardar a evolução dos sintomas e garantir bem-estar. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado no histórico do paciente e exames neurológicos que identificam os sinais cardinais como tremor, rigidez e bradicinesia, sem testes laboratoriais definitivos. Exames como ressonância magnética ou DaTSCAN podem auxiliar em casos duvidosos, mas não são essenciais na maioria das situações.

O tratamento é focado em aliviar sintomas e deve ser multidisciplinar. O neurologista atua como “ponto central” do cuidado, coordenando a equipa que inclui fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, psicólogo, psiquiatra e médico de família. Esse acompanhamento integrado ajuda a lidar com sintomas motores, depressão, ansiedade, alterações do sono, disfagia e outros problemas não motores, melhorando diretamente a qualidade de vida. Em fases avançadas, cirurgias como estimulação cerebral profunda podem ser opções. Manter uma atividade física regular é uma das recomendações mais fortes para a preservação da mobilidade.

O Impacto na Família e na Rede de Apoio

A doença gera depressão em quase 40% dos pacientes, associada à ansiedade, perda de autoestima e isolamento social devido à mobilidade reduzida e estigma pelos sintomas visíveis como tremores. Muitos perdem autonomia no trabalho e atividades diárias, aumentando dependência e exclusão social, o que reforça a necessidade de políticas públicas de inclusão e conscientização. Programas educacionais ajudam a combater preconceitos e promovem integração comunitária.

O diagnóstico de Parkinson não afeta apenas o paciente, ecoa por toda a estrutura familiar. O papel da família torna-se o principal aliado no combate à depressão e no auxílio às tarefas diárias que se tornam complexas. A sobrecarga física e emocional do cuidador é real, sendo vital que este também procure estratégias de autocuidado e apoio. Instituições como a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk) são fundamentais, oferecendo formação, cuidados especializados e um espaço de compreensão mútua. A Doença de Parkinson afeta milhões, mas o conhecimento é o que realmente move a mudança. Apoie quem convive com a doença, incentive a pesquisa e espalhe a conscientização. A rigidez pode estar nos músculos, mas a nossa mente deve permanecer flexível e aberta para novas descobertas.

Conteúdo desenvolvido pela Dra. Narjara Ribeiro, Neurologista – OM 47909

11 de Abril de 2026